Evento discute textos de Elisa Lucinda

agosto 16, 2018 Ilana Sodré 0 Comments



"Quando se fala em África, o que vem na mente de vocês?", esse foi um dos questionamentos feitos pela professora e pesquisadora Driele Oliveira, durante a segunda edição de 2018 do Projeto Leituras Negras, que aconteceu no último sábado (11), no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Salvador Shopping.  

O projeto tem como objetivo discutir textos de autores negros. Desta vez a edição homenageou a escritora e atriz Elisa Lucinda em uma leitura dramática de seus textos encenada pelos atores Iran Costa, Marilene Senna, Mônica Pinho e Pareta Calderasch e com o debate após a leitura. 




Além de Driele, as escritoras e professoras Jovina Souza e Lidiane Ferreira participaram do debate sobre o fortalecimento da cultura afro, dos direitos humanos e o "ser" mulher negra, além de outros temas contidos na poesia de Elisa Lucinda.  

Jovina Souza vê o texto de Lucinda como contemporâneo e com três eixos principais: o cotidiano, o amor e as relações sexuais. "No texto de Lucinda os conceitos de amor inventados pela cultura têm uma crítica pesada ao amor como signo desta cultura. O amor é um sujeito ausente no mundo e no mundo das mulheres", diz Souza.   

A escritora cita Platão ao fazer a ligação dos poetas gregos aos textos de Lucinda. "O medo dos poetas fez Platão expulsá-los da República, o mesmo medo acomete à sociedade brasileira. O poeta é um observador do cotidiano", explica Souza.

Para Oliveira o texto de Lucinda expõe o racismo e a relação com o 'ser' mulher negra. A professora contou que por muito tempo não teve referência de mulheres negras e, ao se tornar uma, teve sua posição contestada. "Quando uma mulher jovem negra de 23 anos é encarcerada ninguém diz nada. Porém quando chegamos em espaços de poder somos questionadas. É importante ver mulheres negras mostrarem conhecimento", conta Oliveira.

Não foi muito diferente com Lidiane Ferreira. Munida com livros de autoras negras como Lívia Natália e Miriam Alves, a também escritora declamou poemas relacionados à negritude e empoderamento. Lidiane entrou também na discussão sobre a solidão da mulher negra e o genocídio do povo negro na literatura ao ler o poema "Quadrilha", de Lívia Natália. "Através destas autoras é fácil perceber o empoderamento desse corpo negro. Porém é complicado falar de solidão porque vem sempre do outro", concluí.  

O espetáculo realizado pela Cia Beluna de Arte tem direção de cena de Ridson Reis,  direção musical de Roquildes Junior e direção executiva de Josie Sodi. Conta também com o apoio do Governo do Estado da Bahia e da Livraria Cultura. 

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